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Não tolere um abuso

Neste artigo, você vai encontrar:A complexa tolerância das vítimas
As raízes históricas da aceitação
O silêncio e a perpetuação da impunidade
Ações para romper o ciclo

A complexa tolerância das vítimas

O assassinato do Henry Borel expôs não só o comportamento extremamente abusivo por parte do Vereador Jairinho, mas também outro comportamento complicado, que é o da tolerância das vítimas.

Algumas ex-companheiras vieram a público denunciar abusos que não tiveram coragem de fazer antes. Esse comportamento foi o mesmo da mãe do menino, que já sabia das agressões ao filho, mas, mesmo não gostando, acobertava. Isso culminou com a morte dele e, surpreendentemente, com outro acobertamento.

Esse comportamento expõe uma recorrência em relacionamentos abusivos: A tolerância com o abusador. Embora existam situações onde a mulher é abusiva, o mais comum é o inverso. Mas porque isso acontece, mesmo quando não há dependência financeira envolvida?

As raízes históricas da aceitação

No século XIX, um antropólogo chamado John McLennan, desenvolveu um conceito chamado “casamento por captura”. Ele aponta que, antigamente, as tribos bárbaras em momentos de escassez, optavam por praticar o infanticídio feminino, porque consideravam que crianças mulheres seriam menos propensas a sobreviver e contribuir com a tribo. Só que anos mais tarde, faltavam mulheres para casar e a tribo tinha que sequestrar mulheres em outras tribos. As mulheres passavam a ser propriedade. À medida que a humanidade civilizou, ao invés do sequestro, as mulheres passaram a ser vendidas por seus pais, ainda como propriedade.

Assim, uma sequencia de maus tratos contra a mulher, ao longo dos anos (do infanticídio aos casamentos arranjados) contribuiu para esse sentimento de que “é assim mesmo, ele não é mau o tempo todo, ele vai mudar”. Uma aceitação da perpetuação da violência.

O silêncio e a perpetuação da impunidade

Tem um caso na bíblia que ilustra isso, que é o de Tamar, filha de Davi. Após ser estuprada por seu meio-irmão, ao invés de denunciá-lo, pede ele em casamento, pela vergonha da exposição. Ele a rejeita e, após ser exposto, não é punido. Essa impunidade gera uma sucessão de mortes.

Ações para romper o ciclo

  1. Não se submeta a isso (se você está sendo abusada)
  2. E não se omita (se você sabe de alguém que está nessa condition).

Ter consciência dessas coisas ajudam a corrigir visões erradas como a da mulher sendo culpada pelo abuso, ou do abusador ser vítima de algo que o levou a ser assim.


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Texto: @matheushetti